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Vulcão Puyehue

Em junho de 2011, o vulcão Puyehue entrou em erupção no Chile. As consequências foram impressionantes. Pelo que soube não houve nenhuma fatalidade, mas várias pessoas tiveram que deixar suas casas e as cidades de Bariloche (AR) e Osorno (CH) foram a mais prejudicadas. Na verdade, acho que soube da erupção apenas uma semana depois. Resolvi pesquisar um pouco e olhando as fotos reconheci a cidade de Villa La Angostura (AR), onde passei em 2006  numa viagem mochileira. Estava tudo cinza, horrível, coberta de uma enorme camada de areia. Dizem que houve lugares em que os detritos atingiram 50cm.

Na foto de satélite abaixo dá para ver a nuvem saindo do vulcão no Chile, cruzando a Argentina na província de Rio Negro e seguindo para a foz do Rio da Prata. Os jornais noticiaram que alguns aeroportos de Argentina, Uruguay e Paraguay foram prejudicados, havendo cancelamentos de voos até em Porto Alegre. Depois o vento mudou e levou as cinzas para o Pacífico, atingindo a Austrália.

O que isso parece mostrar é que tem momentos em que o ser humano, um Prometeu narcisista, mesmo tendo surrupiado o fogo dos deuses e comido da árvore do conhecimento, não é tão rei da cocada como pensa, e acaba não tendo o que fazer quando um vulcão entra em atividade ou um furação aparece no seu jardim.

A linha azul é a nossa rota. Será que teremos algum problema quando passarmos ali no início do verão?

Vulcao Puyehue

gil

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Mais ciclistas viajantes

É muito legal saber que existem outras pessoas que, por diferentes razões, escolhem a bicicleta como mochila. Desde que começamos a delinear essa viagem (cerca de um ano atrás, no meu caso), pesquisamos muito e falamos com bastante gente. Acabamos encontrando vários ciclistas viajantes que já fizeram pedaladas pela américa latina, estão fazendo ou pretendem fazer (lembro-me, inclusive, uma vez que um homem nos parou na rua ao ver os alforjes do gil, contando-nos que faria uma viagem de bicicleta pela Inglaterra). Abaixo vou elencar algumas dessas pessoas com quem fizemos contato ou só observamos de longe.

Johan e Juan Jose: Dois colombianos que passaram aqui por Curitiba no ano passado. Eles fazem parte da cicloexpedicion, uma iniciativa que visa a mobilização dos povos sul americanos em torno dos temas: água, amazônia, integração, pobreza e mobilidade. Conhecemo-os em uma oficina que deram contando da viagem e das situações que viram e viveram em diversos países. Não sabemos direito em que lugar estão agora, mas continuam pedalando pelo continente, pois recebemos periodicamente o “Informe en bicicleta”, um e-mail que trata de questões políticas relevantes na América do Sul.

Renato Tapado: Um ciclista brasileiro que foi de Buenos Aires até Ushuaia, porém por um percurso diferente do que iremos fazer. Em seu diário de bicicleta, me chamou a atenção o grande número de cicloviajantes que ele encontrou pelo caminho.

Leandro Wieczorek do andesnopedal: Encontrei esse sítio faz quase um ano. É um rapaz que saiu de Cuzco, no Peru, e pedalou pela costa do pacífico até o sul do Chile, terminando a viagem em Punta Arenas. O sítio é interessante, e sua lista de equipamento foi útil para começarmos a pensar no nosso (tanto o que ele levou quanto o que descartou no meio da viagem).


Chica: Uma ciclista muito legal, que já pedalou a Argentina, Uruguai e Chile (e mais alguns outros lugares fora da américa latina), fazendo vários desses percursos acompanhada somente de sua bicicleta. Encontramo-nos com ela e conversamos longamente sobre a viagem. Ela nos deu milhares de dicas, desde condições meteorológicas até técnicas de costura. Conversamos também sobre as viagens que ela já fez e que está planejando. Quem sabe um dia não pedalamos junto?

Ciclistas do elmundoenbici: Encontramos esses viajantes de um jeito engraçado. Eu e o gil brincávamos de seguir as estradas do Alaska por imagens de satélite para ver até onde chegavam (a intenção era descobrir se tinha alguma que levava pro estreito de Bering; um possível plano para pedaladas futuras), até que chegamos na última cidade ao norte, onde a estrada que seguíamos termina, chamada Deadhorse. Fomos, então pesquisar imagens desse lugar esquisito e, para nossa surpresa, as primeiras que apareceram eram de cicloviajantes, pedalando em cima do gelo! Depois descobrimos que se tratava de uma dupla de ciclistas da Argentina, que pedalaram do Ushuaia até o Alaska (e por mais um monte de lugares).

Françoise e Claude: Um casal de franceses que deu a volta ao mundo de bicicleta, entre 1980 e 1994. Tive notícia deles quando eu ainda estava pensando em uma viagem de grande porte. Não sei descrever direito a sensação que tive… É como se tudo que eu estivesse vivendo até então fosse desafiado. Lembro-me de algo que o gil disse quando viu essa matéria: “14 anos pedalando pelo mundo… Quem é que precisa pensar num sentido pra vida, assim? Isso é a própria vida.”

por luísa

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Climatologia argentina

Estamos em Curitiba, latitude 25°, a 950 metros acima do nível do mar. Durante a noite, tem feito um frio em torno de 2 graus. Dentro de casa, com uma montanha de cobertores e banhos quentes (pra quem toma quente) já tá sendo complicado. Semana passada fizemos dois testes. O primeiro com os sacos de dormir. São sacos para temperatura de conforto de 5 graus e mínima de zero. Demorou muito para esquentar, sem contar que é meio claustrofóbico não conseguir se encolher ou virar direito. Sem dúvida usaremos a dica da Dona Antônia, senhora que fazia o melhor lanche de todos no escritório em que eu trabalhava: esquentar água e colocar numa PET de meio litro. Aí, joga a garrafinha lá no pé. Acho que assim conseguiremos resistir qualquer frio noturno!

O outro teste foi com as roupas. Colocamos um corta-vento meia-boca sobre nossa segunda pele especial e saímos de noite (uns 7°). Para mim, a experiência foi tranquila, não senti frio e acho que depois de um bom tempo pedalando a temperatura ficaria boa. Melhor seria ter levado luvas (haha) pois a mão voltou como um picolé. Já M. passou muito frio em tudo e disse que estaria bem melhor com mais uma blusa de lã (pelo menos).

Por isso, é sempre bom ter noção de como será o clima que enfrentaremos, principalmente nessas viagens longas. Nosso tempo agora não será mais contado em horas ou dias. As coisas demorarão muito para passar e é preciso programar os momentos de chegada para evitar períodos de muita chuva ou frio. Assim, reunimos para a Argentina os dados anuais de temperatura média, máxima média, mínima média e precipitação. Esses valores são indicativos do clima. Sem dúvida, encontraremos algo muito diferente pelo caminho, ainda mais com essas mudanças que vêm ocorrendo no tempo.

Os mapas das normais climatológicas (1961-1990) para toda a Argentina estão disponíveis no sítio do Servício Meteorológico Nacional.

Janeiro

Argentina - clima - 01enero

Fevereiro

Argentina - clima - febrero

Março

Argentina - clima - marzo

Abril

Argentina - clima - abril

Maio

Argentina - clima - mayo

Junho

Argentina - clima - junio

Julho

Argentina - clima - julio

Agosto

Argentina - clima - agosto

Setembro

Argentina - clima - septiembre

Outubro

Argentina - clima - octubre

Novembro

Argentina - clima - noviembre

Dezembro

Argentina - clima - diciembre

Eles também têm disponível o mapa com as mínimas absolutas encontradas entre 61 e 90. Estranho as estações de Ushuaia e Lago Argentino apresentarem temperaturas mínimas muito maiores que as vizinhas Río Grande e Río Gallegos. Pelo menos, segundo os mapas de mínimas médias para o verão (acima), as temperaturas não caem muito abaixo de 5º. Quem sabe dê até para dormir.

Temperatura Mínima Absoluta

gil

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Oficina sobre viagem de bicicleta – Preparação

Durante essa semana e a que virá, estamos organizando nossa oficina sobre viagem de bicicleta. Essa é uma atividade que pretendemos realizar ao longo do caminho, nas cidades que pararmos. A proposta da oficina é, basicamente, compartilhar dicas e informações para quem quer viajar de bicicleta, dando atenção especial às soluções caseiras que desenvolvemos ou tomamos conhecimento.

Além disso, não deixa de ser uma forma de arrecadar fundos, por contribuição voluntária dos participantes ou pela venda de botons e postais, que ainda estão em fase de desenvolvimento. (Abaixo vai um postal já quase pronto, só falta imprimir)

Mulheres de Bicicleta (postal)

Mulheres de Bicicleta – Postal

M.

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E a comida?

Viajar de bicicleta impõe uma forte limitação: o peso.  Espaço para colocar bugiganga a gente sempre arranja. Uma vez encontrei dois ciclistas chilenos na Rodoferroviária de Curitiba e a bagagem deles ficava da altura do ciclista montado. Ou seja, se os alforges forem pequenos, os bagageiros sempre permitem empoleirar qualquer coisa.

Porém, se o peso dessa tralha for muito grande então a viagem não acontece.

Pensar no que se vai levar de alimento não é tão fácil quanto parece. Passaremos por lugares distintos entre si, com cultura e disponibilidade alimentícia diferentes. Só para ter uma ideia, estamos indo para Argentina e lá quase não tem frutas! Para quem só morou no Brasil, é difícil de imaginar. Quando estive na Patagônia em 2006 durante um mês, o que mais senti falta foi de ouvir música e comer frutas cítricas. Nada de laranja, abacaxi, maracujá, manga, abacate (argh), goiaba, pitanga, mamão, e o pior de tudo, BANANA. Eles têm maçã, cereja, ameixa, pêssego, ciruela, e carne (!).

Pelo que experimentamos das outras viagens, macarrão funciona como base quando se pensa em fazer a própria comida. Em cima, colocamos tomate, cebola, alho, pimentão, aveia, peixe enlatado. De sobremesa, frutas e chá.

A praticidade e durabilidade são características óbvias. Daí os enlatados, há muito usados nas mais longínquas expedições e guerras da modernidade. Outros alimentos interessantes para viagens são as castanhas, as frutas secas e as sementes. Elas costumam aguentar bastante e servem para qualquer refeição.

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Pelo que parece até aqui, estamos indo para Lua e teremos que nos virar com aquilo que escolhermos em Curitiba. Claro que não será assim. Em muitas partes do trajeto teremos companhia de alguma cidade ou vila. Porém, haverá momentos, como a travessia de Puerto Deseado até San Juan, na patagônia argentina, em que – talvez – só conseguiremos abastecer-nos com água por 350km. Na época em que avaliamos esse percurso, calculamos que seria necessário, para os dois, 40 quilos de comida (não lembro se a água estava incluída).

Dito isso, surge minha velha crítica ao vegetarianismo (aqui entram os mais extremos, flexíveis e etcéteras): é impossível excluir produtos de origem animal fora das cidades grandes. Se a pessoa da cidade pode escolher o que quer comer, pois ali concentra-se uma grande variedade de alimentos que são trocados por dinheiro, já o produtor do campo terá que recorrer aos animais em períodos de entressafra, estiagens, e outras necessidades não alimentares (ainda mais se ele quiser ser um pouco independente). Particularmente, eu acho que alimentar-se de vegetais é fundamental, mais limpo e mais natural (tendo em vista a porcariada que dão para os animais), ao contrário de comer carne velha congelada.

Mas como se faz então numa pedalada?

Em nossa última viagem, por exemplo, colhemos goiabas e ganhamos bananas. Mas tivemos que comer tudo em meia hora, pois o calor e as batidas aumentavam muito a degradação das frutas.

Castanhas são caras pra caramba e não é qualquer lugar que tem.

Como estaremos o tempo todo no litoral, é muito provável que os peixes sejam os alimentos mais frescos e desintoxicados que encontraremos. Como trocá-los por qualquer outro produto de origem vegetal produzido a quilômetros de distância, provavelmente tratado com agrotóxicos e guardado em câmaras refrigeradas para retardar o amadurecimento?

Já nos sugeriram salame e queijo, que é uma dupla clássica de viagens pré-geladeira. Também indicaram uma receita maluca de farinha, açúcar, amendoim, castanhas e não lembro mais o quê. Outra amiga já foi mais direta: nesse ponto vocês terão que deixar a causa de lado.

A questão da comida é bastante difícil, ainda mais para mim que sou magrinho.

Sugestões serão muito bem vindas.

gil

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