Arquivo do mês: setembro 2011

Nova página: Faça!

A página será uma coleção de ações no estilo “faça você mesmo” que desenvolvemos ou que aprendemos durante a viagem. Pretendemos que tenha de tudo, desde bioconstrução até culinária. Os equipamentos que fizemos para esta viagem também estarão lá, claro. Mas é preciso paciência, pois leva tempo organizar e diagramar legal essas informações.

Inauguramos o espaço com a receita de uma pedaleira.

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Pedaleira

Certo dia fui na Cidade das Bicicletas em Porto Alegre e deparei-me com uma bicicleta de pinhão fixo com pedaleira. Já havia visto esses acessórios caseiros em Curitiba, mas nunca tive a oportunidade de manuseá-los para aprender como se faz. Na verdade, são bem simples e ajudam a ter mais controle sobre a bici e distribuir a força da pedalada em diferentes músculos.

Segue a receita que fiz. Talvez seja necessário algum reforço na parte em contato com o pedal, caso se use com mais intensidade.

– 2 tiras compridas: 40cm de comprimento por 2cm de largura
– 2 tiras curtas: 13cm x 2cm
– 2 pedaços de velcro com o dobro da largura da tira (neste caso, 4cm) e 10cm de comprimento.

As tiras que usei são de nylon com algodão e encontrei numa casa de material de construção.

Corte as tiras na forma abaixo.

Queime as extremidades e costure para não desfiar.

O velcro será usado de duas formas: uma faixa inteira de 10x4cm e outra cortada ao meio formando duas de 10x2cm. Costure um lado do velcro inteiro (10×4) numa das extremidades das tiras compridas, de maneira a uní-las lado a lado. Na outra extremidade, costure os velcros cortados (10×2) nas duas faces de cada tira. Nessa ponta, as tiras ficarão separadas para poder passar por dentro do pedal. Preste atenção nos lados onde se vai costurar o velcro peludo e o piquento.

Com o outro velcro inteiro (10×4), costure as tiras curtas lado a lado também. Depois, costure-as na extremidade correspondente, formando uma boca nas tiras compridas.

Agora é só passar pelo pedal e morder as tiras soltas.

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A importância do espelho

Já havíamos comentado que o espelho é um equipamento importante, mas agora, depois de pedalar na Estrada do Inferno, ele se mostrou essencial. Sem dúvida que o seu principal uso é para a segurança do ciclista, mas não porque as rodovias são altamente perigosas. Além de saber como vão as coisas com a pessoa que está atrás, o espelho permite coordenar o emparelhamento para conversar ou o alinhamento para liberar a pista. Em lugares com pouco ou sem acostamento, saber o que vem de trás e quando, dá mais segurança para quem pedala, seja onde for, cidade ou estrada.

Por mais improvável que possa parecer, a situação de um veículo cruzar com outro bem ao lado da gente é incrivelmente comum. Ouvimos um fato, pela própria pessoa que o presenciou, que viajando numa rodovia sem acostamento na Argentina, um caminhão que vinha buzinou. O ciclista não entendeu nada pois a pista estava livre, ele andava no cantinho, em cima da faixa lateral. O caminhão buzinou de novo mas continuava vindo, a toda velocidade. Um pouco antes de eles se cruzarem, um barulho enorme como um trovão soou logo atrás de si à direita, na terra ao lado da pista. Um outro caminhão saiu da estrada para desviar do ciclista, pois não cabiam os três, e capotou no campo por vários metros. A imbecilidade daqueles motoristas era tanta que além de não reduzirem um pouco a velocidade para todo mundo continuar seguro, aquele que não capotou partiu para cima  do ciclista culpando-o por andar na pista!

Contra a burrice alheia só a gente sendo bem esperto mesmo. E o espelho ajuda muito nisso.

Há uma outra situação interessante, que é quando está ventando bastante. As rajadas são sempre aleatórias e, unidas ao vácuo que os caminhões fazem ao passar, nos jogam pra qualquer lado a qualquer momento. Sabendo quando vem um desses monstros velozes, podemos parar e esperar que passe. Insistimos no “parar”, pois nós também temos mania de dirigir sem nunca reduzir a velocidade em situações de risco, só que numa bicicleta as consequências são piores.

Em todos os relatos que  lemos sobre viagens de bicicleta, é um fato curiosíssimo ninguém citar esse equipamento.

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Oficina sobre viajar de bicicleta

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Dica


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Por que “cicloturista” não?

Durante pelo menos uns três anos fiquei em crise com o ato de viajar. Nunca estava muito disposto a sair e quando pegava a estrada havia um desconforto constante. No entanto, quando ia a trabalho (e foram várias vezes pelo Brasil), as coisas seguiam bem. Não quero dizer que trabalhar tornava minhas viagens melhores, nada a ver. Quando ia instalar torres anemométricas na Bahia ou no Ceará, a razão de se estar fora era preenchida naturalmente e eu não precisava pensar no assunto (ainda mais que tinha muito o que fazer em campo).

Muita gente, principalmente quando jovem, sente uma pulsão por viagem. Sempre acampei, me virava bem no mato, na praia, na cidade, sem frescuras, motivado pela aventura, pelo conhecimento; o que estava acontecendo comigo então? O que eu tinha percebido nas viagens tradicionais que não me atraía mais?

Primeiramente, por que viajar? Por que buscar em outros lugares as respostas que sabemos não existir prontas em qualquer parte? O que leva uma pessoa a sair de casa, renegar seu colchão, livros, cidade? Por que passar por lugares nos acrescenta alguma coisa que não teríamos ficando, seja em casa ou na primeira cidade que paramos para comer?

Quando se viaja a turismo espera-se encontrar um cartão postal e voltar. Assim como aquela pessoa que visita um museu e quer ser fotografado ao lado de um Mondrian, o turista costuma esperar que lhe ofereçam algo conhecido (que ouviu falar ou viu fotos) e normalmente explora os locais dentro de limites dados pelas municipalidades. Ser turista implica uma condição de pessoa que vai gastar dinheiro em outro lugar e logo ir embora. Os nativos são serviços, enquanto a paisagem, um punhado de megapixels.

Simplificações exageradas à parte, viajar abre tantas possibilidades que não podemos dizer que aquelas que não sejam a trabalho são turísticas (e aqui geralmente entram as de férias e lazer). Essa dualidade não é obrigatória apesar de serem as duas principais categorias praticadas de viagens. Como se viaja de outra forma então? Acho que as pessoas têm que inventar isso e não buscar num guia (numa livraria encontramos “os 10 mais inesquecíveis”, “tudo que não pode faltar”, “o barato que é um pouco caro, mas tudo bem”). Uma ferramenta muito interessante que já nos lança para um nova forma de viajar é o couchsurfing.org e outros sites semelhantes como warmshowers.org e hospitalityclub.org. Não pagar por hospedagem e estar em contato direto com um habitante local muda tudo. Assim, mais pessoas podem sair pelo mundo, ao mesmo tempo que vêem as coisas menos distorcidas pelo mercado turístico.

Quando saímos de bicicleta, temos um enorme caminho que não perfigura em nenhum guia, não é um atrativo. Mas alguém pode perguntar, como nós mesmos nos perguntamos quando olhamos o mapa diversas vezes, “e o que tem de interessante em 300km de deserto, tudo igual durante vários dias?”. Estando na bicicleta por horas a fio, sem os estímulos incessantes da cidade (TV, propaganda, ruído, movimento, perigos iminentes), nós pensamos e conseguimos parar de pensar. Mesmo prestando atenção ao próprio corpo e à natureza, que nos falam quase sempre sutil e silenciosamente, conseguimos ficar muito tranquilos, leves. “O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar”.

A estrada, mesmo sendo uma monótona rodovia federal, é um lugar visitado, que gera lembranças e às vezes nos surpreende. Indo de Porto Belo a Floripa, fomos alcançados por um casal de ciclistas indo para Garopaba. Durante um bom tempo fomos conversando lado a lado, como pessoas que se encontram num café.

Levar o quarto, a cozinha, ser a sua força motriz é algo que pressupõe uma abertura ao mundo própria dos nômades. Há um desapego que não é desleixo, uma curiosidade que já não é só infantil.

Eis, então, cicloviajantes.

gil

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O que deu certo, o que deu errado (1)

Desde Florianópolis estamos ensaiando escrever esse post. De Curitiba até lá, já deu para testar e aprimorar vários equipamentos, e agora, em Porto Alegre, estamos mudando mais algumas coisas. No geral, as coisas que deram errado foram poucas ou pequenas, e quase todas conseguimos arranjar uma maneira de consertar. Tanto o planejamento inicial quanto o tipo de viagem que estamos fazendo, diminuem as chances de dificuldades inesperadas.

(-) Bagageiro traseiro tubular de alumínio.

Apesar de bonito e caro, esse bagageiro é bem fraquinho. Mesmo colocando menos do que a capacidade máxima (que está especificada como 25 quilos), ele entortou e rachou. A sorte é que percebemos antes que se quebrasse completamente, e aí pudemos consertar amarrando um prego grande, com arame e barbante encerado, paralelo ao tubo rachado.

remendo no bagageiro ruim

(+/-) Pedal “aberto”

No pedal que usamos, o conjunto de esferas do mancal fica quase que exposto ao tempo, permitindo que entre sujeira. Por outro lado, esse modelo é bem resistente e possui aberturas para pedaleiras, o que nos fez decidir continuar com eles mesmo assim.

a abertura fica perto do pedivela

(-) Amortecedor dianteiro

Pelo que nos pareceu, o peso carregado na roda dianteira praticamente inutiliza a função do amortecedor. De alguma forma, a bagagem absorve os impactos e talvez não seja necessário ter o peso desse equipamento no garfo.

(+) Bagageiros dianteiros

Está sendo uma boa forma de distribuir o peso. A adaptação que o gil fez no seu funcionou bem até agora. (ver comentário)

(+/-) Capas para os alforjes

No primeiro dia de viagem, tivemos que usar as tais capas pois uma garoa nos pegou na descida da serra. Foi muito engraçado ver que apenas duas da oito serviram, pois as bolsas estavam mais estufadas que o projeto incial. Em Floripa, umas foram novamente confeccionadas enquanto outras foram trocadas por sacos plásticos para carregar entulho (bem barato e já vem pronto).

(+) Linha, agulha e fio encerado

Indispensáveis para vários tipos de reparos.

essa linha preta é de poliamida

(+) Lanterna de cabeça

Por deixar as duas mão livres, é muito boa para usar durante o acampamento. Além disso, em caso de pedaladas noturnas, serve como farol dianteiro.

um amigo encontrou-a num campo da Escócia há vários anos

(?) Barraca Nepal 2 da Aztek

Sempre evitamos colocar a marca dos equipamentos que usamos, simplesmente porque faz pouca diferença. Nesse caso, porém, não temos certeza se os problemas que tivemos se devem ao modelo ou à marca da barraca. O que acontece é que a barraca não parece assentar direito: se a montamos da maneira correta, ela fica muito esticada e parece que as costuras vão arebentar a qualquer momento. Ainda não pegamos chuvas ou vento muito forte durante a noite para saber se ela aguenta.

(+) Luvas de pedreiro

Protegem, esquentam e são baratas. Além disso, não temos pudor de enfiá-las na corrente se for preciso.

(+) Capa de chuva

A capa tipo poncho funcionou bem, porém tivemos que aumentar um pouco o comprimento das perneiras impermeáveis (ver comentário).

(+) Toalha seca-rápido

Apesar do cheiro de cachorro molhado que fica depois de uns dias, ela seca muito rápido mesmo.

(-) Câmera fotográfica

A câmera que o gil estava levando era uma DSLR, um trambolho que pesava muito. Perdemos um pouco em qualidade de imagem, mas ganhamos muito em praticidade com uma câmera de bolso.

(-) Sr. Durão de PET

Aquela fita protetora improvisada com PET de que falamos não deu nenhum pouco certo. Ela se dobrou em vários pontos dentro do pneu, rachou e furou toda a câmera. Talvez se fizer uma fita mais estreita e com alguns cortes como o sujeito indicava, funcione.

(+) Segunda pele

Bom para pedalar e dormir. Dura um tempão sem precisar lavar.

(-) Radinho de pilha

A única vez que ligamos, logo desligamos: só tem porcaria.

(+) Rabo quente

Daqui a pouco acabaremos com a indústria de fogões.

(+/-) Limpeza de corrente com sabão

Durante a viagem aprendemos a limpar a corrente. Tradicionalmente se usa solvente. Porém, a gente usa sabão ou detergente. Fica bonito, mas demora um tempão, não pode ser urgente.

(+) Pára-lama de garrafa PET

É só cortar ao meio e amarrar no bagageiro traseiro e na parte dianteira inferior do quadro.

discreto, não?

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