Arquivo do mês: agosto 2011

Balneário Camboriú a Floripa

Quando chegamos à beira-mar de Blaneário Camboriú na manhã seguinte, lembrei que na véspera havíamos passado por um muro pintado com grafites. A ideia de mapear e documentar os grafites de uma cidade foi algo que surgiu em Curitiba, porém há poucos meses. Na correria da preparação, até que deu para organizar algumas fotos e dar início ao projeto.

Grafite em Balneário Camboriú

Entretanto, ao passarmos por algumas cidade maiores como Joinville e esta em que estávamos, veio-me um “aprimoramento” daquela ideia, que seria aproveitar a viagem para, ao longo do caminho, ir observando a arte de rua dos diversos lugares, inclusive de países diferentes. O que será feito disso depois, ainda não sei, mas acabamos andando 6km a mais naquela manhã só para registrar o tal muro (que por sinal, em breve será demolido, pois o edifício que ele cerca está terminando de ser construído).

Praia de Balneário Camboriú

Deste trajeto até Floripa, o que mais me preocupava, em termos de estrada, era a passagem de Balneário para Itapema, pois além de ter uma baita subida, a BR-101 ali não tem acostamento. Habilmente, M. desviou por um caminho que eu não conhecia, apesar de famoso: a rodovia Interpraias.

Visual antes de chegar em Taquaras

As primeiras subidas nem se comparam com a que vem logo após a praia de Taquaras. No meio da enorme rampa (aquela da história da moeda) tinha até um “força” pintado no asfalto! Depois em Porto Belo, contando disso para meu primo, ele falou: mas ali até carro sofre. Fiquei contente com o comentário, pois tendo vencido aquela subida (importante ressaltar que foi empurrando a bicicleta e em zigue-zague) me pareceu que até os Andes dá para atravessar.

Uma boa subidinha precisa de força

Esse primo de que falei mora em Santa Luzia e é ceramista. Há muitos anos abandonou o curso de engenheria. Achava (opinião que eu também compartilho) que os caras lá não batem bem da cabeça. Veio para o mato de Porto Belo construir um ateliê e tocar a vida como achava que devia. Junto com sua esposa, tomamos longos cafés da tarde, sempre com ótima conversa. Nas duas noites que ficamos lá, dormimos no quarto de uma de suas filhas. Faz muito tempo que não sei o que é um colchonete.

Pessoal pintando as peças para ir ao forno

Para conhecer (novamente) aquela região, tiramos um dia para pedalar sem peso. Iniciamos pela praia de Porto Belo e na entrada paramos na Secretaria de Turismo para conversar. Ali, descobrimos um material excelente para cicloturistas. O que mais me admirou, além da qualidade e detalhamento dos roteiros, foi ter começado a cartilha dizendo “não é preciso ser um atleta para realizar estes percursos”. Há tempos que eu e M. conversamos sobre isso. Ainda escreveremos nossa opinião no blog.

Ilha de Porto Belo

Passamos em seguida por Araçás, Caixa d’aço, Estaleiro, Bombas, Bombinhas, Retiro dos Padres, Quatro Ilhas, Canto Grande, Zimbros.

Mirante de Estaleiro no caminho dos Araçás

Praia dos Amores

Retiro dos Padres

Zimbros

No dia seguinte, planejando o caminho para Floripa, resolvemos excluir a visita à praia de Palmas em Governador Celso Ramos, devido às grandes distâncias com muitos morros. Logo saindo de Tijucas, passaram dois cicloturistas indo para Garopaba que confirmaram nossa escolha: “com todo esse peso seria muito difícil mesmo”. Nossa maior preocupação era que não haveria um bom lugar para dormir na volta.

Depois de 66km em ótima estrada, chegamos à minha terra natal, a Ilha de Desterro.

gil

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Saindo de Floripa

Estamos já há duas semanas em Florianópolis, mas ainda não deu tempo de atualizar o blog com todos os relatos dos lugares que passamos até chegar aqui.

Estivemos arrumando várias coisas: reformando os alforjes, costurando capas novas para protegê-los, repensando nos equipamentos e roupas que deveriam ficar e aqueles outros que seriam incorporados, etc. Também visitamos vários amigos, organizamos nosso arquivo de fotos, descansamos.

Essa viagem não é apenas nossa. Sabemos que há várias pessoas nos acompanhando e torcendo para que tudo dê certo. Além disso, demos quatro palestras, que é uma forma de divulgação dos ideais, de compartilhamento de soluções e arrecadamento de contribuições para poder viabilizar a viagem.

Estamos partindo para a praia do Sonho, com sol forte e um vento sul constante. Para mim, agora é que começa a viagem.

gil

Floripa: vista da baía sul

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Barra Velha a Bal. Camboriú

O caminho que vai de Barra Velha até Balneário Camboriú é uma enorme beira-mar que passa por Itajubá, Piçarras, Penha e Navegantes. A partir de Itajaí tivemos que seguir pela rodovia Osvaldo Reis pois começava a escurecer.

Praia de Itajubá

Toda essa região plana de praia é muito bonita. Quando eu passava pela BR-101, indo a Florianópolis de ônibus, tudo parecia sem graça, com pouca natureza e um abandono urbano. Porém, essa visão de quem passa e quer chegar logo no seu destino precisava ser desfeita e assim, percorrendo uns 40km, senti o prazer de conhecer aquele mar maravilhoso. Obviamente sabia que no verão ali virava um inferno. Tendo nascido em Florianópolis, já tinha aprendido que a melhor época de ir à praia é nas meias estações.

Praia do Meio (Penha)

Praia do Quilombo (Penha)

De Penha para Navegantes, pegamos a rua do Turismo, uma estrada de terra cheia de subidas e descidas no meio da mata atlântica. Havia várias prainhas desertas e uma outra em que sei lá que pessoa se sentiu no absurdo direito de tomar para si e guardar com seguranças armados.

Molhes de Piçarras

Penha

Entrada proibida

Praia Vermelha: ridiculamente particular

Balneário Camboriú ao fundo

Quando chegamos em Balneário Camboriú já tinha passado das 19h e fazia frio. Ninguém havia respondido nosso pedido no couchsurfing, mas logo que saímos da lan house lembrei de uma conhecida. Ela nos recebeu muito bem, improvisando a janta tão variada quanto refinada. Como no dia anterior havíamos pedalado 90km e dormido na brita, fomos para cama bem cedo.

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Barra do Sul e Barra Velha

Para sair de Joinville, pedimos informações a um senhor que auxiliava os recém-chegados da Rodoviária a pegar ônibus de linha. Prontamente começou a gesticular indicando as curvas que teríamos que fazer a partir dali. Eu estive em Joinville apenas uma vez para o festival de dança em 2007, dá para dizer que conhecia um pouco a cidade. Na ocasião, fiz questão de andar a pé pelos lugares tentado memorizar o que dava. Com as orientações do senhor, foi bem tranquilo sair do bairro Bom Retiro, passar pelo Itinga, entrar em Araquari e seguir pela SC-495 até Barra do Sul.

Barra do Sul

Ao chegar no balneário, fiquei impressionado com a combinação de cores do canal do rio do Linguado. O mangue da outra margem com o azul escuro da água: um típico dia ensolarado de inverno. Com a entrada da cidade cheia de ranchos de pescadores à beira-rio, é difícil acreditar que a colonização da cidade, segundo o CIASC, foi de alemães, espanhóis e italianos na metade do século XIX (cabendo aos primeiros portugueses no século XVII apenas a função de militares).

O que movia o tempo bom era um estranho vento de oeste, bastante atípico no litoral catarinense. Segundo pude ver agora, uma frente fria entrou no Brasil pelo oeste do Rio Grande do Sul quando saíamos de Curitiba em 25/07. Esta frente trazia fortes ventos de oeste que chegaram a 100km/h no RS. Encontrando a frente quente do Atlântico, apareceu a instabilidade atmosférica gerando chuvas em toda a região Sul durante uns cinco dias. Nesse período estávamos em São Chico e Joinville.

imagem do INPE

O ciclone extratropical foi para o oceano na noite do dia 1º/08, deixando para traz esse vento de oeste que nos pegou de frente numa estrada de terra saindo de Barra do Sul. Sem dúvida, nosso amigo Johannes teria gostado muito desse “teste”. Durante apenas uns vinte minutos pedalamos arduamente contra o vento.

As árvores deitadas ao fundo evidenciam o predominante vento sudeste

Ao chegar em Barra Velha, demos uma volta pela cidade e como o sol tinha se pôsto, buscamos um lugar para dormir. Não havia camping aberto nesta época e nenhum quintal se mostrou convidativo. Resolvemos tentar o Corpo de Bombeiros. Como da outra vez, em Porto de Cima (PR), o soldados primeiramente se mostraram desconfiados, mas em seguida, com uma imensa hospitalidade, nos ofereceram banho quente, lugar para acampar na garagem, farta janta e boa conversa.

No dia seguinte, enquanto tomávamos café juntos no refeitório, o grupo do novo turno chegou e um soldado nos disse:

– Vão ficar para o almoço, né? Pois agora chegou um cozinheiro de verdade!

Infelizmente tivemos que recusar. Mas logo a seguir ele nos trouxe uma sacola com bolachas e frutas: “para matar a fome no caminho”. Ao Corpo de Bombeiros Militar de Barra Velha, um grande abraço!

gil

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Mulheres de bicicleta

Venho recebendo algumas perguntas de ciclistas e não ciclistas relacionadas ao fato de eu ser mulher e estar fazendo essa viagem de grande porte. As dúvidas abordadas nesse post tratam de questões práticas. As questões filosóficas, que não estou certa se existem, talvez sejam tratadas uma outra hora.

 

Menstruação

Ficamos bastante tempo pedalando por dia, cerca de 10 horas com as paradas e 6 horas sem. Algumas pessoas me perguntaram o que faço durante os dias de menstruação, no caso de não ter acesso a banheiro (o que é bem comum). Bom, eu não sofri nada com isso, pois faz mais de um ano que utilizo o Coletor Menstrual. Pouca gente conhece, e por isso faço questão de apresentar, já que ele facilita muito as coisas, não só na estrada, mas na cidade também.

Coletor Menstrual para mulheres que pedalam e usam bicicleta

Coletor Menstrual

Trata-se de um copinho de silicone, que é introduzido na vagina pela utilizadora. Diferente do Absorvente Interno, ele não precisa ficar tão fundo e também não dá aquela sensação desagradável do algodão. Outra vantagem é que ele é reutilizável: você tira, lava com água e coloca denovo, não gerando lixo algum. E o melhor de tudo é que só é preciso tirá-lo para lavar a cada 12 horas (mesmo para quem tem um fluxo muito grande, como eu). Se por acaso não tiver banheiro ou for um banheiro público, que não tem pia no box, dá para encher uma garrafinha de água para lavá-lo e está tudo certo! Além do mais, acho ele muito mais higiênico que o absorvente externo, pois fica tudo dentro do copinho e você não fica lambuzada de sangue. No blog da Gangue do Hipertexto tem um texto mais longo sobre o assunto, mas quem tiver dúvidas se sinta a vontade para perguntar; tenho o maior prazer em divulgar essa solução! Abaixo tem um vídeo explicativo, seguido de alguns links de lugares onde comprar.

http://www.misscup.com.br/

http://www.meluna.com.br/

http://www.guiavegano.com/

Cólicas e outros sintomas desagradáveis

Nesse caso, o que sugiro é que espere passar. Não é bom pedalar com dor e se forçar normalmente piora. Tive uma experiência ruim tentando seguir em frente quando estava sentindo cólicas e não adiantou: tivemos que parar em uma lanchonete até tudo se acalmar. Se você tem alguma solução que corte bem a dor e faz com que se sinta bem o suficiente para atividade física, então talvez dê para ir tranquilo, mas no meu caso, que nada resolve completamente (e às vezes ainda me dá um enjôo desgraçado), não há nada melhor que deitar algumas horas num lugar quente. O mais importante aqui é respeitar seus limites e, no caso de estar pedalando com mais pessoas, avisá-las sobre o que está acontecendo.

Roupas íntimas

Uma coisa que não recomendo de jeito nenhum é usar calcinhas. Por quê? Porque elas parecem ter sido desenvolvidas com o intuito de entrar na bunda (afinal, as calcinhas servem para ser sexy; que mulher está preocupada com conforto?).  O problema disso vai muito além do desagrado momentâneo: depois de dias pedalando com a calcinha no lugar errado (porque não adianta arrumar, ela entra toda hora com o movimento), a pele começa a apresentar assaduras que tornam a atividade de sentar-se no selim terrivelmente desagradável. E não adiantou usar calcinhas específicas para esportes, para caminhada, para mochileiras ou aquelas cuecas femininas: todas elas tem um corte que, com as pedaladas, fazem o tecido entrar onde não devia.

O que decidi fazer, então, foi usar cuecas, que são bem confortáveis. Prefiro aquelas com o modelo mais justinho, que não fica sobrando na frente, parecem até que foram feitas para mulheres mesmo. Pra mim não foi difícil fazer essa troca, mas confesso que demorei pra ter a idéia: parece que a gente se acostuma tanto com as “soluções” prontas que é raro pensarmos algo diferente do que já é dado.

Ficam aí as dicas. As pessoas que tiverem outras dicas e soluções, fiquem à vontade em contribuir.

M.

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Oficinas sobre Viagem de Bicicleta – Florianópolis


Durante a próxima semana realizaremos algumas conversas sobre viagem de bicicleta, dessa vez em Florianópolis. Abaixo segue a release da oficina. Qualquer dúvida, é só perguntar.

A partir de nossa experiência em viagens de bicicleta, pretendemos compartilhar dicas para quem tem interesse em viajar também, dando atenção às soluções simples e caseiras que desenvolvemos ou tomamos conhecimento. Também abordaremos a parte do planejamento e discutiremos um pouco da filosofia do pedalar. Durante a conversa, contaremos como foi nosso trajeto até agora, e como estamos planejando a viagem daqui para frente, que tem como primeiro objetivo a cidade de Ushuaia (AR), na Terra do Fogo.

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A moeda no asfalto

Subindo em zigue-zague a terceira pirambeira do dia:

– Gil!

– Quê?

– Achei uma moeda de um real!

– Quê?!

– Aqui, mais embaixo.

– Pegou?

– Não, tá aqui no meio do asfalto.

– Antes ou depois do “força” pixado no chão?

– Um pouco depois.

– Vais pegar?

– Não sei. É de um real…

– É.

– Mas tá pesado…

– Uhum.

– Não tem onde botar a bicicleta…

– Não.

– Que droga! Tô aqui vendo ela um milhão de vezes.

– Hehe. Deve tar aí um tempão.

– Alguém deve ter derrubado.

– Deve ter sido um motoqueiro distraído…

– Deve ter sido um ciclista que estava subindo o morro e ficou com preguiça de voltar pra pegar, isso sim!

– Mas tu não alcança?

– Se me estico sim, mas não dá pra segurar a bicicleta com uma mão só.

– Já tentou?

– Já.

– Ah, é só um real mesmo.

– É…

– …

– Ah, que se dane!

Dois dias depois, fomos a uma padaria e faltava 80 centavos para fechar o valor. Sorte que tinha a moeda de um real!

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