Arquivo do mês: julho 2011

São Francisco do Sul

Fugimos do tempo ruim de Vila da Glória, em Itapoá, e cruzamos a baía de Babitonga num barco que não é o Ferryboat de Estaleiro. Com isso, cortamos uns 30km de estrada de terra.

Já no trapiche vimos um lugar muito simpático. Todo aquela organização colonial portuguesa me lembrou Laguna, ainda mais com o Mercado na beira da água e uma montanha ao fundo. Não era por acaso, são as cidades mais antigas de Santa Catarina. Uma um importante entreposto para abastecimento e descanso (como no nosso caso), a outra como limite austral da colônia portuguesa, acordado pelo Tratado de Tordesilhas de 1494. O nome São Francisco parece ter sido dado por Juan Dias Solis, navegador que, rumando para o sul, descobriu e explorou os territórios adjacentes à foz do Rio da Prata. Daqui a pouco chegamos também.

Em São Francisco do Sul tínhamos um lugar para ficar, conseguido via couchsurfing.org. Ligamos para o Pedro e rumamos para a praia de Enseada. Infelizmente ele estava com o pé imobilizado, mas mesmo assim conseguimos dar umas voltas na praia, e até ir no costão. Pedro nos deixou bastante à vontade em sua casa. Preparamos feijão todos os dias e tínhamos acesso à internet. Agora, para a última janta, tem batata e cebola em rodelas com tomate e orégano no forno, enquanto ouvimos Rubber Soul dos Beatles.

Disse que fugimos, mas não teve jeito. O tempo nublado se transformou em chuva devido ao avanço de um centro de baixa pressão que vinha do oeste. A frente fria entrou no oceano na altura de Florianópolis, mas aqui no norte ainda recebemos uma rebarba que, segundo a previsão do CIRAM, o céu continuará feio até terça-feira. Faça o que fizer (tudo indica que será um chovisco de nada), sairemos domingo cedo.

Mesmo com com o tempo ruim, conseguidos passear aqui por perto, onde conhecemos a praia de Enseada, a Prainha e a praia Grande. No meio da tarde fomos ao centro histórico, mas acabamos chegando tarde, quase na hora de fechar o Museu do Mar. Entramos, mas tivemos quase que apostar corrida para ver quem conseguia chegar na saída antes de fecharem.

Um grande abraço ao Pedro e pedal na estrada.

gil

29/07 - Prainha

29/07 – Prainha

29/07 - Praia Grande

29/07 – Praia Grande

29/07 - Surfando no encanamento da draga da Petrobrás

29/07 – Surfando no encanamento da draga da Petrobrás

30/07 - Mirante de Enseada: lagoa no topo, mar ao fundo

30/07 – Mirante de Enseada: lagoa no topo, mar ao fundo

30/07 - Museu do Mar: até que deu para tirar UMA foto

30/07 – Museu do Mar: até que deu para tirar UMA foto

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Curitiba – Pontal do Paraná – Guaratuba

Estamos agora em Guaratuba, vamos passar a noite na casa de minha tia. Será ótimo dormir em um colchão para dar uma aliviada nas costas.

Os dois últimos dias foram bons. Não pedalamos muito, mas curtimos a praia, demos umas caminhadas noturnas e nos molhamos um pouquinho no mar (só um pouquinho, porque estava bem gelado, apesar do sol). Johannes voltou para Curitiba hoje, algumas horas depois que chegamos em Guaratuba. Espero que voltemos a pedalar juntos mais para frente, talvez na patagônia. Sua presença é muito animada, sempre alegre.

26/07 - Pontal do Paraná: água gelada gostosa

26/07 – Pontal do Paraná: água gelada gostosa

O primeiro dia foi bem difícil, pegamos neblina e chuva na serra. A chuva era na verdade um chuvisco e por isso demoramos um pouco até vestirmos as roupas impermeáveis, o que foi um problema (essas garoas são fininhas, mas acabam molhando tudo). Tivemos algumas dificuldades com a bicicleta também, minha câmara furou uma vez e o pneu do Johannes rasgou, e deu um trabalhão pra substituí-lo. No fim, dormimos em um posto de gasolina na entrada para Pontal, depois de pedalar 85km, e seguimos para Praia de Leste somente no outro dia (esse posto, aliás, chama-se Posto Mediterrâneo, tem funcionários muito gentis e oferece banho quente gratuitamente!). É engraçado, pois em todas as nossas viagens até então, nunca tínhamos pegado uma chuva e nenhum pneu havia estourado, e agora, já no primeiro dia, tudo aconteceu junto. Johannes acha que foi um bom teste.

Em Praia de Leste, aproveitamos para descansar um pouco. Acampamos no quintal de uma casinha simpática, dessas que ficam abandonadas fora da época de veraneio. A pedalada pela beira-mar hoje de manhã até Matinhos foi maravilhosa: o céu estava limpo e o ventinho gelado não deixava que o sol esquentasse muito. Atravessamos a balsa para Guaratuba e logo que chegamos ao outro lado, resolvemos tentar um caminho alternativo, pela praia de Caieiras. O caminho em si não deu certo, pois não havia outra rua que ligasse ao centro de Guaratuba, mas a prainha que conhecemos valeu o erro, era pequena e tranquila, sem asfalto e com casinhas na encosta do morro, de frente para a praia. O centro de Guaratuba estava vazio, quase tudo fechado e pouquíssima gente na rua. Por sorte achamos uma panificadora aberta, chamada Farinha com Sabor, e comemoramos meu aniversário com um sonho delicioso!

26/07 - Posto Meridiano (chuveiro quente!)

26/07 – Posto Meridiano (chuveiro quente!)

Até agora, a sensação que tenho é a mesma que tive em outras viagens. Por mais que eu saiba que será longa, as coisas que deixei ainda estão muito frescas, ainda não me distanciei delas o suficiente para deixar de senti-las. Alguns momentos digo a mim mesma “Acorda! Serão muitos e muitos  meses pedalando!”, mas ainda me parece algo impossível de mensurar. É uma sensação estranha de infinitude que não se consegue apreender, algo semelhante ao que acontece quando somos crianças e tentamos imaginar que um dia seremos adultos ou quando tentamos conceber que vivemos em uma bolinha no meio de um vazio enorme; parece que a imaginação pára em algum lugar no meio do caminho, e dali não consegue mais ir para frente.

M.

27/07 - Toda a tralha espalhada

27/07 – Toda a tralha espalhada

28/07 - Jantando num mangue cheio de mosquitinhos infernais

28/07 – Jantando num mangue cheio de mosquitinhos infernais

29/07 - Uma manhã inesquecível: ela chegou!

29/07 – Uma manhã inesquecível: ela chegou!

29/07 - No trapiche do centro histórico de São Francisco do Sul

29/07 – No trapiche do centro histórico de São Francisco do Sul

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Partida

Daqui a pouco começamos nossa viagem. É incrível, mas já está tudo pronto! Até ontem a noite, parecia que nunca iríamos acabar de arrumar. Johannes acabou de chegar; agora só falta carregar as bicicletas e partimos. A previsão é tempo nublado o dia todo, ótimo para pedalar, e a temperatura ficará entre 15 e 23. Hoje será a quilometragem mais longa, cerca de 100 km, mas como tem uma descida gigantesca até o litoral, acredito que não tenhamos problemas.

Minha sensação no momento é estranha. Talvez possa chamá-la de ansiedade, algo que diz “não é possível que chegou a hora”. Junto com isso vem um amarrado na garganta, de deixar tudo para trás.

Acabei de desligar meu celular, e não o ligarei tão cedo, não nos próximos 6 meses, no mínimo.

M.

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Vulcão Puyehue

Em junho de 2011, o vulcão Puyehue entrou em erupção no Chile. As consequências foram impressionantes. Pelo que soube não houve nenhuma fatalidade, mas várias pessoas tiveram que deixar suas casas e as cidades de Bariloche (AR) e Osorno (CH) foram a mais prejudicadas. Na verdade, acho que soube da erupção apenas uma semana depois. Resolvi pesquisar um pouco e olhando as fotos reconheci a cidade de Villa La Angostura (AR), onde passei em 2006  numa viagem mochileira. Estava tudo cinza, horrível, coberta de uma enorme camada de areia. Dizem que houve lugares em que os detritos atingiram 50cm.

Na foto de satélite abaixo dá para ver a nuvem saindo do vulcão no Chile, cruzando a Argentina na província de Rio Negro e seguindo para a foz do Rio da Prata. Os jornais noticiaram que alguns aeroportos de Argentina, Uruguay e Paraguay foram prejudicados, havendo cancelamentos de voos até em Porto Alegre. Depois o vento mudou e levou as cinzas para o Pacífico, atingindo a Austrália.

O que isso parece mostrar é que tem momentos em que o ser humano, um Prometeu narcisista, mesmo tendo surrupiado o fogo dos deuses e comido da árvore do conhecimento, não é tão rei da cocada como pensa, e acaba não tendo o que fazer quando um vulcão entra em atividade ou um furação aparece no seu jardim.

A linha azul é a nossa rota. Será que teremos algum problema quando passarmos ali no início do verão?

Vulcao Puyehue

gil

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1ª Oficina sobre Viagem de Bicicleta – Curitiba


A partir de nossa experiência em viagens de bicicleta, pretendemos compartilhar dicas para quem tem interesse em fazer o mesmo, dando atenção às soluções simples e caseiras que desenvolvemos ou tomamos conhecimento. Também abordaremos a parte de planejamento da viagem e discutiremos um pouco da filosofia do pedalar. Durante a conversa, contaremos um pouco como foram nossas viagens de bicicleta até agora e como estamos planejando a próxima, que terá como primeiro objetivo a cidade de Ushuaia (AR), na Terra do Fogo.

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Mais ciclistas viajantes

É muito legal saber que existem outras pessoas que, por diferentes razões, escolhem a bicicleta como mochila. Desde que começamos a delinear essa viagem (cerca de um ano atrás, no meu caso), pesquisamos muito e falamos com bastante gente. Acabamos encontrando vários ciclistas viajantes que já fizeram pedaladas pela américa latina, estão fazendo ou pretendem fazer (lembro-me, inclusive, uma vez que um homem nos parou na rua ao ver os alforjes do gil, contando-nos que faria uma viagem de bicicleta pela Inglaterra). Abaixo vou elencar algumas dessas pessoas com quem fizemos contato ou só observamos de longe.

Johan e Juan Jose: Dois colombianos que passaram aqui por Curitiba no ano passado. Eles fazem parte da cicloexpedicion, uma iniciativa que visa a mobilização dos povos sul americanos em torno dos temas: água, amazônia, integração, pobreza e mobilidade. Conhecemo-os em uma oficina que deram contando da viagem e das situações que viram e viveram em diversos países. Não sabemos direito em que lugar estão agora, mas continuam pedalando pelo continente, pois recebemos periodicamente o “Informe en bicicleta”, um e-mail que trata de questões políticas relevantes na América do Sul.

Renato Tapado: Um ciclista brasileiro que foi de Buenos Aires até Ushuaia, porém por um percurso diferente do que iremos fazer. Em seu diário de bicicleta, me chamou a atenção o grande número de cicloviajantes que ele encontrou pelo caminho.

Leandro Wieczorek do andesnopedal: Encontrei esse sítio faz quase um ano. É um rapaz que saiu de Cuzco, no Peru, e pedalou pela costa do pacífico até o sul do Chile, terminando a viagem em Punta Arenas. O sítio é interessante, e sua lista de equipamento foi útil para começarmos a pensar no nosso (tanto o que ele levou quanto o que descartou no meio da viagem).


Chica: Uma ciclista muito legal, que já pedalou a Argentina, Uruguai e Chile (e mais alguns outros lugares fora da américa latina), fazendo vários desses percursos acompanhada somente de sua bicicleta. Encontramo-nos com ela e conversamos longamente sobre a viagem. Ela nos deu milhares de dicas, desde condições meteorológicas até técnicas de costura. Conversamos também sobre as viagens que ela já fez e que está planejando. Quem sabe um dia não pedalamos junto?

Ciclistas do elmundoenbici: Encontramos esses viajantes de um jeito engraçado. Eu e o gil brincávamos de seguir as estradas do Alaska por imagens de satélite para ver até onde chegavam (a intenção era descobrir se tinha alguma que levava pro estreito de Bering; um possível plano para pedaladas futuras), até que chegamos na última cidade ao norte, onde a estrada que seguíamos termina, chamada Deadhorse. Fomos, então pesquisar imagens desse lugar esquisito e, para nossa surpresa, as primeiras que apareceram eram de cicloviajantes, pedalando em cima do gelo! Depois descobrimos que se tratava de uma dupla de ciclistas da Argentina, que pedalaram do Ushuaia até o Alaska (e por mais um monte de lugares).

Françoise e Claude: Um casal de franceses que deu a volta ao mundo de bicicleta, entre 1980 e 1994. Tive notícia deles quando eu ainda estava pensando em uma viagem de grande porte. Não sei descrever direito a sensação que tive… É como se tudo que eu estivesse vivendo até então fosse desafiado. Lembro-me de algo que o gil disse quando viu essa matéria: “14 anos pedalando pelo mundo… Quem é que precisa pensar num sentido pra vida, assim? Isso é a própria vida.”

por luísa

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Climatologia argentina

Estamos em Curitiba, latitude 25°, a 950 metros acima do nível do mar. Durante a noite, tem feito um frio em torno de 2 graus. Dentro de casa, com uma montanha de cobertores e banhos quentes (pra quem toma quente) já tá sendo complicado. Semana passada fizemos dois testes. O primeiro com os sacos de dormir. São sacos para temperatura de conforto de 5 graus e mínima de zero. Demorou muito para esquentar, sem contar que é meio claustrofóbico não conseguir se encolher ou virar direito. Sem dúvida usaremos a dica da Dona Antônia, senhora que fazia o melhor lanche de todos no escritório em que eu trabalhava: esquentar água e colocar numa PET de meio litro. Aí, joga a garrafinha lá no pé. Acho que assim conseguiremos resistir qualquer frio noturno!

O outro teste foi com as roupas. Colocamos um corta-vento meia-boca sobre nossa segunda pele especial e saímos de noite (uns 7°). Para mim, a experiência foi tranquila, não senti frio e acho que depois de um bom tempo pedalando a temperatura ficaria boa. Melhor seria ter levado luvas (haha) pois a mão voltou como um picolé. Já M. passou muito frio em tudo e disse que estaria bem melhor com mais uma blusa de lã (pelo menos).

Por isso, é sempre bom ter noção de como será o clima que enfrentaremos, principalmente nessas viagens longas. Nosso tempo agora não será mais contado em horas ou dias. As coisas demorarão muito para passar e é preciso programar os momentos de chegada para evitar períodos de muita chuva ou frio. Assim, reunimos para a Argentina os dados anuais de temperatura média, máxima média, mínima média e precipitação. Esses valores são indicativos do clima. Sem dúvida, encontraremos algo muito diferente pelo caminho, ainda mais com essas mudanças que vêm ocorrendo no tempo.

Os mapas das normais climatológicas (1961-1990) para toda a Argentina estão disponíveis no sítio do Servício Meteorológico Nacional.

Janeiro

Argentina - clima - 01enero

Fevereiro

Argentina - clima - febrero

Março

Argentina - clima - marzo

Abril

Argentina - clima - abril

Maio

Argentina - clima - mayo

Junho

Argentina - clima - junio

Julho

Argentina - clima - julio

Agosto

Argentina - clima - agosto

Setembro

Argentina - clima - septiembre

Outubro

Argentina - clima - octubre

Novembro

Argentina - clima - noviembre

Dezembro

Argentina - clima - diciembre

Eles também têm disponível o mapa com as mínimas absolutas encontradas entre 61 e 90. Estranho as estações de Ushuaia e Lago Argentino apresentarem temperaturas mínimas muito maiores que as vizinhas Río Grande e Río Gallegos. Pelo menos, segundo os mapas de mínimas médias para o verão (acima), as temperaturas não caem muito abaixo de 5º. Quem sabe dê até para dormir.

Temperatura Mínima Absoluta

gil

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